Luz saudável
Up one level
Maria Vitória
Da equipe do Correio
Cozinhar, assistir a um filme no DVD e dormir são atividades que necessitam, respectivamente, de muita, pouca e nenhuma luz. E todas exigem uma quantidade certa de luminosidade, pois a iluminação excessiva ou deficiente pode afetar a saúde dos olhos e provocar acidentes, como quedas.
A iluminação errada afeta até os bebês. Um estudo feito por cientistas da Vanderbilt University, nos Estados Unidos, demonstrou que a exposição constante à luz artificial do hospital pode prejudicar o desenvolvimento do relógio biológico de bebês prematuros. A pesquisa usou ratos, mas os cientistas concluíram que, com a luz constante, os cérebros dos animais não se desenvolvem normalmente, aumentando a incidência de problemas mentais, como a depressão. Eles aconselham que a exposição do bebê a luzes artificiais em unidades especiais de tratamento para prematuros deveria ser minimizada, possivelmente adotando-se iluminação que obedeça ao ciclo do dia e da noite.
Estudos anteriores mostram que crianças tratadas em unidades de tratamento que adotam iluminação natural, segundo o padrão dia e noite, adaptam-se melhor ao sono noturno. Eles também ganham peso mais rápido do que os bebês tratados em incubadoras com luz constante.
FADIGA OCULAR
Os olhos são a primeira parte do corpo humano a ser afetada por uma iluminação inadequada. O oftalmologista Porfírio Lamartine explica que ler, escrever, mexer no computador, ou mesmo assistir à televisão exige uma quantidade certa de luz. Um dos principais problemas é a fadiga ocular. Ao permanecer em um ambiente muito ou pouco iluminado, a maioria das pessoas não presta atenção e acaba forçando a visão para se adaptar ao ambiente.
René Louis Pic, engenheiro eletricista especialista em iluminação, diz que cada cômodo da casa ou local de trabalho, dependendo de sua função, necessita de um estudo detalhado sobre a quantidade de luz adequada. “Uma sala de estar, por exemplo, necessita de pouca iluminação para proporcionar a sensação de conforto. Já um ambiente de trabalho precisa de bastante luz para facilitar a leitura e a atenção”, afirma Pic.
As pessoas que trabalham em escritórios, iluminados por lâmpadas fluorescentes, e em frente à tela de computadores, podem apresentar cansaço visual depois de um dia intenso de trabalho. Lamartine diz que esse cansaço é natural, mas exige cuidados se vier acompanhado de sintomas como dor de cabeça, ardor ou dor nos olhos. É um sinal da necessidade de reestruturação na iluminação do local e de uma visita a um oftalmologista.
Os médicos, porém, desfazem um mito: a quantidade de radiação ultravioleta emitida pela tela dos computadores e pela luz fria é muito pequena e insuficiente para causar danos à pele.

